terça-feira, 24 de maio de 2016

A chance de Dilma de derrotar o golpe

Por Mino Carta, na revista CartaCapital

Depois de um ano, sete meses e alguns dias, volto ao Palácio da Alvorada para entrevistar Dilma Rousseff, juntamente com dois ótimos companheiros, Sergio Lirio e André Barrocal.

No mesmo salão, à mesma mesa perfeitamente encerada, na segunda semana de outubro de 2014, ouvimos a presidenta que se preparava a enfrentar Aécio Neves no segundo turno das eleições destinadas a lhe entregar seu segundo mandato.

O confronto entre as situações me habilita a duas impressões a respeito do comportamento da entrevistada. Em primeiro lugar, anoto a serenidade em contraste com a tensão da entrevista dos tempos eleitorais.

A presidenta afastada pela manobra golpista está bem mais à vontade do que a candidata ao segundo turno. Mais segura, mais incisiva. A segunda impressão, pelo contrário, confirma aquela que tive no passado.

Vi, melhor, senti uma personagem solitária naquele cenário desmesurado, esmagador antes que imponente. O sentimento, desta vez, gera o impulso da solidariedade humana. A transcender, até, a questão política, a natural repulsa que o golpe de inédito feitio causa em praticantes do jornalismo honesto, ou, por outra, compromissados com a ética profissional e fiéis da democracia.

O retorno de Dilma ao posto conquistado nas urnas, determinado na sessão definitiva deste longo, atormentado processo de impeachment a ser presidida no Senado pelo presidente do STF, representaria um milagre?

Ouço um coro grego de respostas afirmativas. Seria milagrosa, no entanto, a mínima mudança de alguns votos? Entenda-se: basta reverter dois votos para selar a volta da afastada, caso se repita o resultado da votação anterior.

A presidenta tem sido acusada de ter agido amiúde autoritariamente e falhado na lida com o Congresso e com diversos setores empresariais. Teria mostrado inabilidade política nas horas em que o contrário se fazia indispensável.

Daí a dúvida razoável de que ela saiba agora tornar-se uma atilada intérprete da realpolitik. É evidente que a astúcia não faz parte das características de Dilma, enquanto firma-se em determinadas ocasiões uma certa rigidez moral, em nada aparentada com o exercício da arte do possível.

Dilma soube fazer algumas concessões, uma entre elas, talvez a maior, chamar Joaquim Levy para a Fazenda ao ser reeleita, para realizar um ajuste fiscal a toque de caixa, na convicção de que agir às pressas diminuiria o amargor do remédio. Ela admite hoje ter errado, e é um notável avanço de sua parte. De todo modo, lidar com a personagem Eduardo Cunha há de exigir um aparelho digestivo absolutamente fora do comum.

Quem sabe o Ulisses da Ilíada, inventor do cavalo de Troia, fosse capaz de enfrentar uma figura tão desbragadamente mal-intencionada, capaz de se apresentar hoje como dono da Câmara e do próprio governo, a serviço dos interesses da casa-grande, que a mídia estrangeira chama de plutocracia.

Na sua infinita malignidade, Cunha é um vilão de dimensão shakespeariana, a despeito da mediocridade intelectual dos seus comparsas e dele próprio, e é lamentável, para não dizer coisa pior, que um guaxinim possa fazer tantos estragos no quintal nativo.

De agora em diante, de todo modo, a presidenta afastada tem ainda sua chance, e veremos se sabe aproveitá-la. Diz Dilma que Lula vive um momento mais triste do que o dela, e entende-se: o ex-presidente é o alvo final deste espantoso entrecho.

No centro está a disputa do poder, mas resta verificar se os caminhos parlamentares e togados se afinarão daqui em diante. Cabe a hipótese de uma separação, em proveito do caos definitivo. Em cena, as ambições e as vaidades de quantos se atribuem o papel de salvadores da pátria, e não são poucos.

Para o amanhã, no sentido literal, Dilma tem alguma margem de manobra, a despeito de Cunha, e com o favor admissível de um ou outro exame de consciência, talvez ao som do batuque midiático que no exterior condena sem remissão mais um golpe à brasileira. Quanto aos pretensos salvadores, vale dizer que Michel Temer é soberano somente no emprego da mesóclise.

STF só tem uma saída: anular o impeachment

No dia 11 de maio deste ano, o então ministro José Eduardo Cardozo tentou uma liminar para suspender o impeachment da presidente Dilma Rousseff, alegando que o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), havia agido com "desvio de finalidade" ao abrir o processo. Seu objetivo seria promover uma troca de governo para que pudesse se safar da Lava Jato, alegava Cardozo.

Teori negou a liminar, apontando que não seria possível comprovar as motivações de Cunha naquele instante. A questão seria, portanto, de natureza subjetiva.

No entanto, nesta segunda-feira, o que era subjetivo se tornou cristalinamente objetivo. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos braços direitos do presidente interino Michel Temer, confessou que o impeachment nada mais foi do que uma tentativa de uma elite corrupta de deter a Lava Jato. Para "parar essa porra" e "estancar a sangria", seria preciso retirar a presidente Dilma Rousseff do poder, colocando no poder o vice-presidente Michel Temer – e o mais grave, segundo Jucá, é que esse acordão envolveria até integrantes do Supremo Tribunal Federal.


Agora, diante dessa bomba atômica, os integrantes têm uma única saída: anular um processo de impeachment aberto na Câmara por razões espúrias e aprovado no Senado para deter a Lava Jato, num escândalo que envergonha o Brasil diante do mundo.

Com informações do www.brasil247.com

segunda-feira, 23 de maio de 2016

1ª Copa Cariri de Futebol 2016

Definidos os finalistas

No sábado, 21, o Atlético de Camalaú foi até Queimadas enfrentar o Canna’s Club no jogo de volta da primeira semifinal.

Os atleticanos venceram o jogo de ida por 3 x 1, em Camalaú, e poderiam perder pelo placar de até um gol de diferença. Foi o que ocorreu: Canna’s Club 1 x 0 Atlético.

Com este resultado o Atlético garantiu uma das vagas na grande final.

A outa vaga foi decidida entre o Independente de Cabaceiras e o também camalauense Cruzeiro.

No jogo de ida me Camalaú, 0 x 0.

Ontem, 22, na Ribeira de Cabaceiras, o empate bastaria para garantir o Independente na decisão, visto que a equipe fez a melhor campanha da primeira fase, no entanto os “donos da casa” não quiseram saber desta vantagem e com o adversário desfalcado, venceu por 3 x 0.

O jogo

Quem não assistiu este jogo, pelo placar pode achar que foi uma partida fácil para a equipe cabaceirense, mas este foi decidido em detalhes.

Primeiro foi a tensão do jogo, visto que durante toda a semana ficou a dúvida se realmente haveria esta partida, pois o Cruzeiro tentou adiar o jogo, considerando que também participa de outra competição e houve choque de horário. Mas a equipe camalauense veio a campo.

Os camalauenses começaram o jogo, com apenas 10 jogadores, o que facilitou a “vida” dos cabaceirenses nos primeiros 15 minutos de jogo, que se jogou ao ataque, mas esbarrou na boa defesa cruzeirense.

Com o jogo “rolando”, por volta dos 20 minutos, os cruzeirenses atrasados chegaram e entraram no jogo. O meio foi completado e logo de início o treinador substituiu o ala esquerda, o que deixou a equipe cruzeirense mais compacta e equilibrou a disputa no meio de campo.

Daí veio o “primeiro detalhe”: a equipe foi ao ataque e deixou a defesa aberta e numa jogada rápida o bom atacante Raif dividiu uma bola com o jovem goleiro Manoel, e no rebote a bola sobrou para o meia cabaceirense que só encostou para o gol vazio: primeiro tempo 1 x 0 para o Independente.

Início de segundo tempo e o segundo detalhe: bate-rebate na área do Independente e o zagueiro “mete a mão na bola”, e atento o árbitro Gean Lima marca a penalidade. O empate mudaria a história do jogo, mas o Cruzeiro desperdiça a cobrança, aliás, uma bela defesa do goleiro Julinho.

Terceiro detalhe: o Cruzeiro com apenas três substitutos (que entraram no jogo), não tinha mais opções no banco de reserva, daí o pior: seu melhor jogador em campo, Wal, torce o tornozelo e deixa mais uma vez o Cruzeiro com um jogador a menos. A situação fica ainda pior, quando um dos zagueiros cruzeirense agride o atacante do Independente e é expulso de campo.

Com dois jogadores a mais, o Independente fica soberano em campo, e logo faz o segundo gol. Ao Cruzeiro só um milagre pra virar o jogo, no entanto esteve próximo de fazer isso, se não fosse mais um pênalti desperdiçado. Nos minutos finais, o Independente fecha a conta com mais um gol e a classificação garantida.

Final

A final, ainda sem data e local definido, é entre as equipes que tiveram as melhores campanhas na primeira fase e com merecimento chegaram a decisão da 1ª Copa Paraíba de Futebol: Atlético de Camalaú x Independente de Cabaceiras.

Copa Integração do Cariri 2016

Rodada decisiva neste final de semana

Pelo grupo A, o Barcelona vence fora de casa, ratifica sua classificação e de quebra ainda garante a classificação do Leão da Vila.

O Barcelona foi a Gurjão e venceu o selecionado local por 4 x 2. Com este resultado, a equipe de Soledade mantem a sua invencibilidade na competição e a cabeça da chave. Em segundo lugar, agradecendo ao Barça, ficou o Leão da Vila de Pocinhos, que faz uma campanha totalmente diferente do ano passado, mas apesar da irregularidade a equipe está na segunda fase do certame.

Pela Chave B, em Queimadas, o Fluminense fez o suficiente para vencer o Palmeiras de Boqueirão, pelo placar de 2 x 1.

Este resultado deixa os queimadenses com grandes chances de classificação. Entretanto, no último jogo deste grupo, o Palmeiras recebe o América de Aroeiras, e uma vitória da equipe de Boqueirão deixa todos com 05 pontos ganhos, e os critérios de desempate é que prevalecerá.

Depois de 15 dias sem jogos, a Chave C foi movimentada neste final de semana. 

A líder, Selebranca foi até Camalaú enfrentar o dividido Cruzeiro e trouxe na bagagem mais uma vitória: 1 x 0, que ratifica a classificação da equipe serra-branquense.

Em Caraúbas, em mais um clássico cruzeirense, mais um empate: 0 x 0, nada bom para os caraubenses. Apesar do “magro” placar, o Cruzeiro de Sumé volta com um importante ponto, que o condiciona a segunda colocação e decidirá a classificação em casa na última rodada.

Fechando a rodada, os jogos da Chave D: duplo empate e a expectativa para a rodada final desta primeira fase, só aumentou.

Em Cabaceiras, o Estudantes recebeu a Seleção de Parari e apenas empatou em 0 x 0. Um resultado ruim, visto que faz o último jogo fora e contra o líder do grupo.

O outro empate foi em São Domingos, onde a Ponte Preta recebeu o já classificado São Paulo, e apesar do 1 x 1, o resultado mantém a equipe em segundo lugar, deixando a pressão para a Seleção de Parari, adversário da última rodada, desta primeira fase.

Confira a classificação:

GRUPO A
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
LEÃO DA VILA – POCINHOS
04
04
01
01
02
02
03
-01
SELEÇÃO DE GURJÃO
03
04
01
00
03
03
08
-05
BARCELONA – SOLEDADE
10
04
03
01
00
08
02
06

GRUPO B
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
FLUMINENSE – QUEIMADAS
05
04
01
02
01
03
03
00
AMÉRICA – AROEIRAS
05
03
01
02
00
02
01
01
PALMEIRAS - BOQUEIRÃO
02
03
00
02
01
01
02
-01

GRUPO C
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
CRUZEIRO – CAMALAÚ
04
05
00
04
01
02
03
-01
CRUZEIRO – SUMÉ
05
05
01
02
02
04
04
00
CRUZEIRO - CARAÚBAS
04
05
00
03
02
05
07
-02
SELEBRANCA  - SEL. DE SERRA BRANCA
11
05
03
02
00
08
05
03

GRUPO D
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
ESTUDANTES – CABACEIRAS
05
05
01
03
01
02
05
-03
SÃO PAULO – SÃO JOÃO DO CARIRI
10
05
03
01
01
05
02
03
PONTE PRETA – SÃO DOMINGOS
07
05
02
01
02
05
04
01
SELEÇÃO DE PARARI
05
05
01
02
02
02
03
-01

Última rodada:

Chave B
Em Boqueirão: Palmeiras x América de Aroeiras.

Chave C
Em Serra Branca, Selebranca x Cruzeiro de Caraúbas.
Em Sumé, o Cruzeiro local recebe o Cruzeiro de Camalaú.

Chave D
Em São João do Cariri, São Paulo x Estudantes
Em Parari, Seleção local x Ponte Preta. 

sábado, 21 de maio de 2016

Golpistas, trouxinhas e matraqueiros.

Na derrubada do governo Dilma Rousseff nunca esteve em pauta o combate à corrupção. Mas, o PIG (Partido da Imprensa Golpista), comandado pela Rede Globo, conseguiu confundir uma parcela significativa da população, misturando reportagens sobre a Operação Lava Jato com matérias sobre as acusações de “pedaladas fiscais” cometidas pela presidenta eleita.

Tudo combinado na República de Curitiba, presidida pelo super-herói dos golpistas, o juiz Sérgio Moro: semanalmente, nos dias de quinta-feira a domingo, o juiz Moro publica suas medidas cinematográficas agendando-as com delegados da Polícia Federal e com o PIG. As TVs fazem a cobertura em tempo real. Por três anos a fio o espetáculo se repete.

A revista Veja ou outra qualquer entre as agências do PIG transformam suspeitas e delações em denúncias e denúncias em vereditos: se é contra o PT e os governos petistas estão condenados. Os matraqueiros são correias de transmissão do PIG e sem nenhuma cautela investigativa repetem a mesma ladainha à exaustão.

Os golpistas sabem o que querem. O pessoal que veste a camisa da CBF não. Os golpistas promovem a derrubada do governo reeleito porque querem controlar a economia do país, substituindo a política econômica social-desenvolvimentista pelo neoliberalismo derrotado nas urnas em quatro eleições seguidas.

Os golpistas querem controlar o Banco Central para manter os lucros estratosféricos dos credores da dívida pública brasileira: uma infinitesimal parcela da população, cerca de 20 mil famílias, que nos últimos 12 meses abocanharam mais de 500 bilhões de reais do orçamento do governo federal só com os juros recebidos da dívida que sangra o país.

Os golpistas querem controlar o governo para desmontar o incipiente Estado de Bem-Estar Social que retardatariamente começou a ser construído nos governos de Lula e Dilma. Querem descontruir, com o apoio do PIG, as políticas de proteção que atacam as urgências da dívida social do Brasil: Bolsa Família e Fome Zero, Minha Casa Minha Vida, expansão do ensino técnico superior, etecetera.

Os golpistas querem reverter a política de valorização e/ou proteção salarial instituída nos últimos treze anos. Os golpistas questionam a política de aumentos reais do salário mínimo, alegando que gera inflação. Os golpistas querem esvaziar a política do piso nacional dos professores, alegando que causa desequilíbrio fiscal nos governos estaduais. No mesmo rumo querem mudar os benefícios da Previdência Social e destruir a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Os golpistas querem privatizar o Pré Sal e a Petrobrás. Querem fragilizar o BRICS, porque são aficionados seguidores da dependência externa: uma aliança política e econômica entre a elite nacional e a elite multinacional, que submete o país aos países centrais do capitalismo.

Os golpistas querem barrar a política de combate à corrupção. O governo interino de Temer, com o PMDB, PSDB, DEM e PPS, está repleto de figurões que constam nas listas de denunciados por roubo do dinheiro público e das estatais. Por trás do governo interino está o poderoso Eduardo Cunha, o corrupto-mor da República. – Os golpistas querem escapar.

Os golpistas sabem o que querem e o que não querem: não querem correr o risco de perder mais uma eleição para um campo à esquerda, democrático e popular, cheio de contradições e erros, mas identificado com os interesses da maioria da população, que finalmente foi incluída no orçamento governamental por Lula e Dilma.

E os trouxinhas, por onde andam? – Os trouxinhas caíram em campo, foram às ruas e às redes sociais em nome do combate à corrupção. Os trouxinhas fizeram a parte que o PIG lhes reservou. Vestiram verde-amarelo. Bateram panelas. Fizeram arruaças nos restaurantes e livrarias onde encontraram petistas. Destilaram ódio contra o PT. Nem de longe pensaram nos sonegadores. Nem de longe se lembraram dos credores da dívida pública, os agiotas oficiais.

O foco dos trouxinhas era Dilma e Lula. Os trouxinhas se aliaram a Eduardo Cunha e Temer, a Aécio e Marina, a Gilmar Mendes ao PIG para derrubar Dilma. Os trouxinhas desfilaram com o “pato” da FIESP. O problema dos trouxinhas não era contra os corruptos, era intolerância contra o PT. Os trouxinhas cegaram de ódio, envenenados de ódio. Intoxicados de ódio.

Para os trouxinhas o piquenique acabou: Corruptos no poder, protegidos da Justiça por um tempo. O governo interino começa o desmonte da agenda social. Agora os trouxinhas estão calados. Cúmplices. Envergonhados. Trouxinhas manobrados pelo partido do golpe fingem que não são trouxas e que não têm nada com isto.

E os matraqueiros, onde estão? – Os matraqueiros são correias de transmissão do PIG. Aos matraqueiros cabe o papel que lhe foi reservado: Depois de demonizar Lula, Dilma e o PT, agora cabe aos matraqueiros engolir, sem mastigar, o jornalismo chapa-branca do PIG, aliado do governo interino. Engolir sem regurgitar os noticiosos do PIG. Engolir e defecar adiante para outros engolirem de novo.


Golpistas pensam, maturam, articulam, manobram. Golpistas sabem o que querem: um governo branco, rico, macho, corrupto e neoliberal. Trouxinhas e matraqueiros pensam tardiamente. Pensam o pensamento dos outros. Trouxinhas e matraqueiros: midiotas do mesmo saco.