O Ministério da Educação anunciou um aumento de 22% no piso
salarial nacional dos professores que agora passa a ser de R$ 1.451,00. É muito
pouco. É menos do que ganha um policial, um agente penitenciário, um enfermeiro
e um dentista. É muito menos do que ganha um médico, um agente fiscal, um
prefeito e um jogador de futebol.
Esse aumento de vinte e dois por cento é quase quatro vezes
maior do que a inflação da economia brasileira durante o ano de 2011. Mas em
valores absolutos é um reajuste para um salário que continua muito aquém do
merece uma professora que faz desse ofício uma missão de vida.
Para aqueles professores que são amargurados de carteirinha,
aquele pessoal que gosta de vestir umas camisetas com letreiros tipo “vencerei
mesmo sendo professor”, esse aumento é uma “mão na roda” para continuarem
botando a culpa no governo e nos estudantes para justificar o mau desempenho
profissional em sala de aula.
De fato, um salário de mil quatrocentos e cinqüenta e um
reais é injusto, mesmo se fosse para uma jornada de 20 horas semanais de
trabalho. Injusto para as professoras de verdade, que preparam suas aulas com
esmero e satisfação.
Para aquele pessoal frustrado, que é professor, mas queria
ser médico, advogado ou engenheiro – como se isso fosse mais importante – esse
salariozinho de R$ 1.451,00 reais é um ótimo pretexto para continuar enrolando
na sala de aula, escarrando o tempo todo que o mundo não presta e, pior, que o
mundo não tem jeito.
Para aquela professora que na atividade escolar extra sala
de aula trabalha muito, pesquisando em várias fontes, imaginando formas criativas
de envolver seus estudantes, esse salário ainda é uma falta de respeito, mesmo
que o real seja uma moeda relativamente valorizada em seu poder de compra.
Mas, para aquele pessoal que gosta de piadas do tipo “não me
assalte, sou professor”, esse salário continuará sendo o argumento para fazer
da escola um “bico”. Esse pessoal vai continuar falando mal do país e nos
períodos de greves aproveitando para tirar umas “férias extras” porque lutar
pela Educação seria coisa de românticos e lunáticos.
Para os professores que são professores por vocação, esse
aumento real de salário anunciado pelo Governo Federal é muito aquém do
merecido. Exige jornada abusiva de quarenta horas semanais – que tempo sobra
para estudar, pensar, cismar em “ócio criativo”, como diria Domenico De Masi?
Mesmo assim esses mestres e mestras não vão confundir o culpado, que não é a
criança, o adolescente e o jovem.
Para um mau professor, qualquer salário é muito. Mas para um
bom professor, quando um dia esse país de fato valorizá-lo para além do
discurso, pagando um salário digno, ainda ficará e sempre ficará um débito e o
reconhecimento daquilo que ele ensinou – e aprendeu com seus alunos e alunas.


1 comentários:
como o discurso mudoui em RITLERR?Qdo PREFEITO nem o mês trabalhado pagava,agora quer dá uma de santo?!Dá licença meu,teu discurso não vale mais nada "MANÉ E MALANDRO"
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