Dia-a-dia: por Zizo Mamede
Na Quarta-feira de Cinzas eu passei rapidamente para ver a
obra do calçamento que está paralisada no bairro dos Pereiros. Um casal que
mora no bairro se aproximou querendo saber como conseguir um medicamento na
Secretaria de Saúde do Estado.
Com um envelope nas mãos a senhora de meia idade, foi logo
falando: “Consegui esses exames com o vereador Hercules. Mas não podemos
comprar os medicamentos... Você sabe dizer se a Secretaria de Saúde do Estado
dá medicamentos?”
“O vereador pagou esses exames prá senhora?” – perguntei
“Não! – respondeu ela – Hercules conseguiu com dr. Marcelo
lá na prefeitura”.
O marido dela então abriu o jogo: “Foi um funcionário da
Saúde que levou a gente prá conversar com Hercules e disse que dr. Marcelo
‘tava’ ajudando Hercules. Então nós conseguimos os exames”
Retruquei a conversa: “Mas vocês não conseguem os exames
direto lá na Secretaria de Saúde da prefeitura sem precisar pedir ao vereador
Hercules?”
A senhora falou se abanando com o envelope dos exames: “A
gente bem que tentou, mas a fila era muito grande e quando eu cheguei ‘madrugadinha’
não tinha mais o papelzinho que eles dão lá!”
“Então uma pessoa disse cochichando que era preciso procurar
Raquel de Paulo Sérgio prá gente ser atendido” – falou o marido. E continuou
com a fala: “Voltamos prá casa combinando que no outro dia a gente ia ter que
procurar Raquel de Paulo Sérgio...”
A mulher entrou de novo cortando a conversa do marido: “Tem
uns vereadores que não ‘consegue’ resolver nada com Dr. Marcelo, mas Hércules
consegue. Foi o que o funcionário da Saúde disse prá gente... E ‘tava’ certo!
Olha os exames aqui”!
Falei prá eles que nem Hércules nem Dr. Marcelo estavam
dando nada a eles e que tudo era pago com dinheiro público, dinheiro do povo.
“Eu sei que é do povo, mas é mesmo que não ser – discordou a
mulher – Só conseguimos os exames com Hércules e Dr. Marcelo...”
“E vocês não pediram os medicamentos a eles?” – perguntei
O marido então falou gesticulando: “Estamos pensando em
botar a cara prá um lado e procurar Hércules de novo prá ‘vê’ se ele consegue
os remédios ‘prá’ gente, mas vimos você aí e viemos pedir informação...”
Informei ao casal que a prefeitura de Serra Branca estava
gastando em torno de 35 mil reais por mês com a compra de medicamentos e que
eles deveriam procurar a secretaria de Saúde do município.
A esposa olhou para o marido e perguntou recuando a cabeça e
os ombros: “Oche?! E onde o prefeito está enfiando esses medicamentos?”
Então eu falei: “Sei lá onde o prefeito está enfiando o
medicamento! Eu só sei é que dr. Marcelo e Hercules são carne e unha. Isso eu
sei!”
Meu companheiro de viagem, que a tudo escutava calado,
cantarolou dando uma de Bezerra da Silva: “Eh! Malandro é malandro, mané é mané...”

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